28/08/2009
Acessibilidade Urbana é destaque no XV COBREAP
Garantir a qualidade de vida das pessoas preservando o direito de locomoção seja de deficientes físicos ou não, é o conceito da Acessibilidade ou “arquitetura inclusiva” como é chamada. O tema será discutido no XV COBREAP – Congresso Brasileiro de Avaliações e Perícias – com a arquiteta Silvana Cambiaghi, abordando casos práticos, normas técnicas e sua evolução ao longo dos anos. Durante a entrevista, Silvana falou da importância do Congresso para discutir o tema e ainda enfatizou o cumprimento da lei que obriga a adoção da arquitetura inclusiva e o desenho universal como parâmetro para todos os projetos urbanísticos e de edificações.

1. Faça um resumo da evolução da acessibilidade nos últimos anos no Brasil e cite algumas conquistas.
A acessibilidade evoluiu no país a partir da década de 90, apesar de estamos atrasados uns 20 anos, quando foi alterado o conceito de que ela só atende as pessoas com deficiência para pensarmos no conceito do desenho universal, que a utilização de ambientes, produtos, equipamentos que atendam a todas as pessoas, inclusive as com deficiência. Inúmeras leis foram promulgadas e normas técnicas foram adequadas e revistas, como a NBR9050/94 e revisada novamente em 2004, que de maneira muito mais ampla determinou os conceitos técnicos de acessibilidade.
2. Na sua opinião, qual a importância do COBREAP para a evolução da arquitetura em geral ?
Através de perícias e avaliações de obras e projetos, estaremos evoluindo para técnicas, profissionais e obras que atendam todas as normas internacionais e Brasileiras, o Congresso troca este tipo de informações.
3. Detalhe os casos práticos que serão apresentados no painel do COBREAP
Serão apresentados casos de perícias de diversos prédios como cinemas, teatros, bancos, inclusive sobre a utilização de algum equipamento de circulação vertical inadequado, que não atendiam as leis e normas técnicas de acessibilidade. Serão abordadas quais as informações pertinentes, legislação e normas que serão avaliadas para verificar se está assegurado o uso com segurança e autonomia de pessoas com deficiência.
4. Qual é o papel efetivo dos profissionais ligados a esse trabalho para o sucesso do projeto?
De promover, aferir, diminuir dúvidas, atestar e dar suporte a advogados, promotores, juízes das reais condições de acessibilidade de uma edificação ou equipamento.
5. Qual é base para definir a arquitetura inclusiva?
A arquitetura inclusiva é aquela que atenda aos preceitos do desenho universal, ou seja, adequada para todo tipo de usuário, seja ele alto, baixo, anão, magro ou obeso, homem ou mulher, gestante, idosos ou crianças, que tenha ou não algum tipo de deficiência. Para tanto é necessário utilizar concomitantemente as regras previstas em normas de acessibilidade, integradas ao conceito do projeto.
6. De que forma o COBREAP contribui para o fortalecimento da arquitetura inclusiva ?
Através de sua divulgação, conhecimento de leis e Normas para municiar profissionais a analisarem com base técnica se uma arquitetura é ou não inclusiva. A divulgação para que mais técnicos se especializem nesta área, aumentando o nicho de mercado e demonstrando que é urgente a adoção destes padrões de arquitetura para todos.
7. Nesta edição o COBREAP completa 35 anos. Quais as grandes conquistas da arquitetura inclusiva (desenho universal) nesse período?
A arquitetura inclusiva só começou a tomar corpo no Brasil no final dos anos 90, infelizmente atrasado 20 anos de muitos países da Europa, Estados Unidos, Japão, Canadá, entre outros. Porém com o crescimento da cultura e leis que os locais devem ser acessíveis a todo cidadão e sustentáveis é uma revolução que não tem volta e mais e mais os profissionais se interessam por esta área. No Brasil temos o Decreto Federal 5246/2004, que determina a adoção da arquitetura inclusiva e o desenho universal como parâmetro para todos os projetos urbanísticos e de edificações, temos que fazer valer o que a Lei já nos obriga.
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